Steve Hackett não pretende tocar The Lamb Lies Down on Broadway inteiro com sua própria banda. Para o guitarrista, uma recriação completa do álbum só faria sentido com a participação dos músicos que estiveram envolvidos na gravação: Peter Gabriel, Tony Banks, Mike Rutherford e Phil Collins.
Lançado em 1974, o disco duplo marcou o fim da passagem de Gabriel pelo Genesis. O trabalho levou adiante a combinação de narrativa, experimentação e arranjos complexos que vinha sendo desenvolvida pelo grupo.
A resistência de Hackett não representa uma rejeição ao álbum. O incômodo está no peso de reproduzir a obra fora do contexto em que ela foi criada. Durante a gravação, Gabriel se concentrou principalmente nas letras e no conceito, enquanto Banks, Collins, Hackett e Rutherford trabalharam em grande parte da música separadamente.
As sessões foram tensas e os prazos se estenderam. O processo também contribuiu para o desgaste que culminaria na saída do vocalista. Por isso, Hackett considera que o disco está profundamente ligado à formação clássica do Genesis e à dinâmica daquele período.
Ainda assim, o guitarrista nunca abandonou as canções de The Lamb Lies Down on Broadway. Em sua carreira solo, revisitou diferentes músicas do Genesis e chegou a registrar uma versão própria da faixa que dá nome ao álbum durante o projeto Genesis Revisited. A gravação acabou ficando de fora porque ele considerou a música fortemente associada a Peter Gabriel.
Nas turnês atuais, Hackett passou a incluir várias faixas do disco no repertório, mas continua evitando uma execução integral. A escolha permite combinar momentos de The Lamb com músicas de outras fases da carreira e destacar as partes em que sua guitarra tem algo especial a oferecer.
Assim, a questão não é deixar o álbum de lado. Hackett segue celebrando o trabalho, mas diferencia a liberdade de revisitar canções específicas da responsabilidade de reproduzir, do começo ao fim, uma obra construída por toda a formação original.







