A relação de Steven Tyler com Mick Jagger mudou ao longo da trajetória do vocalista do Aerosmith. O que começou como incômodo diante das comparações terminou incorporado à própria identidade artística: Tyler passou a reconhecer no cantor dos Rolling Stones uma referência decisiva.
Em entrevista de 1993, Tyler explicou que evitava falar muito sobre os Rolling Stones porque temia reforçar a impressão de que tentava reproduzir Jagger. "Eu era um grande fã dos Stones, mas tive medo de admitir isso durante anos". Para ele, admitir a admiração poderia ser usado como argumento de que sua performance era apenas uma imitação.
A comparação aparecia em diferentes aspectos. O visual, os trejeitos, o modo de ocupar o palco e a parceria entre Tyler e Joe Perry faziam parte da semelhança percebida pelo público entre o Aerosmith e os Rolling Stones. A proximidade física e cênica com Jagger tornou difícil para Tyler escapar desse paralelo.
Uma referência assumida
Com o passar do tempo, o vocalista deixou de rejeitar a associação. Em outra entrevista, resumiu a mudança de forma direta: "No começo eu odiava. Depois cresci e percebi: 'Claro que pareço com ele. Ele é o melhor'."
A admiração, porém, vinha de antes da fama do Aerosmith. Tyler já havia definido Jagger como "o cara mais foda do pedaço" e afirmado que os Rolling Stones representavam tudo o que ele imaginava que o rock poderia ser. Em 2007, chamou o cantor de seu "herói até hoje".
Jagger não foi a única influência mencionada por Tyler. Beatles, Everly Brothers, Janis Joplin e Keith Richards também apareceram entre as referências usadas na construção de sua identidade artística. Ainda assim, foi a semelhança com Jagger que provocou a comparação mais persistente.
O próprio Jagger demonstrou pouca simpatia pela associação. Em entrevista de 1977, criticou o Aerosmith e ironizou a possibilidade de Tyler estar tentando imitá-lo. Décadas depois, o vocalista americano já tratava a semelhança como parte de sua história musical.







