O guitarrista Toni Costa criticou o uso do monitor in-ear e a retirada dos amplificadores do palco, práticas cada vez mais comuns em turnês. Para ele, a tecnologia pode criar uma barreira entre o músico e o público. A avaliação foi feita em entrevista ao programa Papo com Clê, do canal Corredor 5.
Com 72 anos, Costa contou que não conseguiu se adaptar ao retorno por fones. Ele afirmou que, embora use um equipamento feito para a orelha, deixou de ouvir a guitarra no ambiente e de perceber as reações imediatas da plateia. "Eu perco a relação com a audiência", disse.
Ao falar sobre os amplificadores, o músico imaginou como Jimi Hendrix reagiria se alguém tentasse retirar o equipamento do palco. A referência tem relação com a própria formação de Costa: por volta dos 15 anos, ele decidiu ser guitarrista depois de conhecer o trabalho do americano.
Da experiência de palco ao debate digital
Carioca, Toni Costa passou por Salvador e estudou na Berklee College of Music, em Boston. Ao longo da carreira, tocou com Moraes Moreira, Maria Bethânia e Caetano Veloso, banda da qual fez parte por oito anos. Mesmo com a formação acadêmica, ele se define como roqueiro quando sobe ao palco.
O guitarrista também questionou as discussões sobre amplificadores e simuladores digitais. Ele comparou o debate às condições encontradas nas turnês pelo Nordeste nos anos 1980, quando os equipamentos disponíveis variavam de cidade para cidade e muitas vezes chegavam em mau estado. Como exemplo, citou um ginásio de Feira de Santana, onde os músicos precisavam conseguir um som com o que estivesse à disposição.
Costa reconheceu que o sistema pode funcionar quando existe preparação. Ele mencionou Marisa Monte, que passa semanas ensaiando com a banda e o técnico antes de iniciar uma turnê. Na maioria dos shows, porém, vê músicos isolados e diretores transmitindo orientações pelos fones durante as canções.
Para ele, a prioridade deveria ser a conexão criada no palco. "O que tem que ser focado é a emoção e o artista", afirmou.







