O jornalista Ricardo Luiz Feltrim da Silva questionou a diferença entre as críticas ao Rock in Rio e os elogios publicados durante a edição encerrada em 5 de setembro de 2026. Em vídeo no YouTube, ele afirmou que parte dos comentários favoráveis veio de influenciadores que receberam cortesias, e não necessariamente de pessoas que compraram ingresso.
Feltrim disse ter acompanhado os perfis de quem esteve na Cidade do Rock e estimou que os conteúdos entusiasmados correspondiam a entre 5% e 10% do material sobre o festival. Entre os relatos negativos apresentados estavam reclamações sobre lama, filas para banheiro e alimentação, falta de capa de chuva e preço do ingresso. Uma espectadora chamou a infraestrutura de insalubre.
Contas fechadas e respostas rápidas
O jornalista também levantou a possibilidade de automação nas discussões. Segundo ele, vídeos com críticas recebiam, poucos segundos depois, respostas em defesa do evento. As mensagens partiam, em geral, de contas fechadas e com poucas publicações. “Há indícios, não estou falando que há, mas há sérios indícios, que tem robôs, os famosos chatbots, entrando em críticas do Rock in Rio”, declarou.
Outro caso exibido envolveu um morador da Barra Olímpica. Ele relatou que as vias eram bloqueadas a partir das 14 horas nos dias de festival, exigindo cadastro prévio de veículos e dificultando a chegada de visitantes de carro. Feltrim apresentou a situação como um conflito entre um evento privado e o direito de ir e vir. Também comentou a fila destinada ao público acima de 60 anos no dia da apresentação de Elton John, relacionando a questão à meia-entrada.
O contraste com a área VIP
Parte do vídeo foi dedicada à estrutura para convidados e compradores do Rock in Rio Club. Uma influenciadora descreveu mais de 4.500 m² de varandas, cerca de 70 toneladas de alimentos servidas ao longo do festival e acesso vendido por R$ 3.300. Para Feltrim, a questão não é elogiar o camarote, mas deixar claro se o acesso foi comprado ou recebido como cortesia.
Ele também comentou uma análise financeira feita por outra usuária, segundo a qual o dinheiro movimentado no festival estaria concentrado no consumo interno, como cerveja, hambúrguer, camiseta e estacionamento, além da bilheteria. Feltrim mencionou relatos de instabilidade no Pix e levantou uma possível disputa por comissionamento entre bandeiras de cartão.
O jornalista lembrou que Roberto Medina criou o modelo em 1985 para vender juventude às marcas, e não apenas música. Hoje, segundo ele, há mais de 100 ativações na Cidade do Rock. Apesar das críticas, reconheceu o papel da família Medina na história do rock brasileiro e comparou o festival ao Festival de Águas Claras, em Iacanga, que frequentou em 1981. Para Feltrim, quem paga por uma experiência deve poder reclamar quando não gosta dela.







