MARANHÃO — O desenho dos Lençóis Maranhenses não se repete: o vento move as dunas, a chuva ocupa as depressões e a estação seca altera novamente a paisagem. No Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, mais de 36 mil lagoas temporárias podem surgir ao longo do ciclo das chuvas.
A área entrou na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 2024. O reconhecimento abrange 156.562 hectares em uma zona de transição entre Cerrado, Caatinga e Amazônia. Mais da metade do território é formada por dunas costeiras brancas, com lagoas temporárias e permanentes.
A UNESCO classifica o local como o maior campo de dunas da América do Sul e destaca seus valores estético e geológico. Em 2026, a Secretaria de Turismo do Maranhão voltou a divulgar o número de lagoas temporárias do parque.
Chuva, lençol freático e dunas móveis
As lagoas recebem água exclusivamente da chuva. Durante a estação chuvosa, a elevação do lençol freático preenche os espaços mais baixos entre as dunas, formando lagos de tamanhos, cores e profundidades diferentes. Com o avanço do período seco, parte deles diminui ou desaparece.
O vento também participa da transformação: como as dunas continuam migrando, o cenário pode reaparecer com outros contornos no ano seguinte. O ICMBio define a área como o maior deserto úmido do país e informa que o parque permanece aberto à visitação durante o ano inteiro.
Acessos e travessias
Barreirinhas e Santo Amaro do Maranhão são as principais portas de entrada. Também há acessos por Humberto de Campos e Primeira Cruz. Para quem parte de São Luís, o trajeto costuma ser feito por estrada até Barreirinhas ou Santo Amaro. O aeroporto de Parnaíba, no Piauí, aparece entre as opções aéreas mais próximas, especialmente para viajantes da Rota das Emoções.
Veículos particulares não podem circular nos roteiros turísticos dentro da unidade de conservação. O transporte terrestre e a condução de visitantes seguem o credenciamento do ICMBio.
A Travessia dos Lençóis liga Atins a Santo Amaro por uma área de acesso restrito a caminhantes. O percurso passa por Baixa Grande, usada para apoio e pernoite, Queimada dos Britos, um oásis habitado, e Betânia, na região de Santo Amaro. Há ainda circuitos de lagoas para banhos e caminhadas mais curtas.
Para 2026, o ICMBio estabelece que grupos de trekking tenham limite de dez pessoas por condutor, façam registro de entrada e saída e reservem previamente os pontos de apoio quando houver pernoite.
O ciclo do clima
Em Barreirinhas, as médias de 30 anos indicam o período de maior volume de chuva entre fevereiro e maio. Os menores volumes aparecem entre agosto e novembro. O El Niño e a La Niña podem modificar esse padrão entre os anos.
A combinação entre mais de 90 mil hectares de campo de dunas e dezenas de milhares de lagoas faz com que a principal atração seja encontrar, em cada visita, uma paisagem redesenhada.







