Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Alcântara guarda palácios inacabados e uma base brasileira de foguetes

Entre ruínas do século XIX e o Centro de Lançamento de Alcântara, a cidade maranhense reúne patrimônio colonial e atividade espacial.

Dois palácios foram erguidos no século XIX para receber um imperador que nunca chegou à cidade. A disputa entre o Barão de Pindaré e o Barão de Mearim deixou como herança paredes e arcos de pedra no centro histórico de Alcântara, no Maranhão.

A construção iniciada pelo Barão de Pindaré não foi concluída. A visita de Dom Pedro II também não aconteceu. Hoje, as ruínas do palácio estão entre os pontos mais fotografados do município, que preserva casarões, igrejas e outras marcas do período colonial.

Um centro histórico entre pedras e documentos

A área antiga pode ser visitada a pé a partir do porto onde chegam os barcos. A Praça da Matriz concentra casarões e ruínas, enquanto o Pelourinho permanece como um dos símbolos do passado colonial.

Entre os principais pontos estão as ruínas da Igreja Matriz de São Matias, com fachada de pedra e sem telhado; as ruínas da Igreja de São Francisco, iniciada no começo do século XIX e marcada por um portal de pedra de lioz; e o Museu Histórico de Alcântara, instalado em um casarão com objetos e documentos sobre a cidade.

Alcântara viveu um período de riqueza entre os séculos XVIII e XIX, impulsionado pelas exportações. Quando a elite local entrou em declínio no fim do século XIX, muitas famílias deixaram o município e várias obras ficaram inacabadas. Sem a substituição por prédios novos, parte do casario permaneceu em forma de ruína, com portas e janelas abertas para o céu.

A vantagem geográfica para os lançamentos

A poucos graus da Linha do Equador, Alcântara abriga o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), instalado no município por causa da rotação mais veloz da Terra nas proximidades do Equador. A Agência Espacial Brasileira informa que essa condição oferece um impulso adicional aos foguetes.

Com isso, o CLA pode usar até 30% menos combustível que bases localizadas em latitudes mais altas. A economia permite transportar mais carga ou utilizar um veículo menor, além de ter despertado o interesse de outros países pela base maranhense.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) aproximaram os dois aspectos da cidade por meio do projeto Entre Ruínas e Estrelas. A iniciativa recebeu investimento de R$ 259,3 mil e busca relacionar a preservação do patrimônio às atividades do setor espacial.

Travessia e período de menos chuva

O acesso mais usado é por barco, atravessando a Baía de São Marcos desde São Luís. As embarcações partem do cais da Praia Grande, no centro histórico da capital, e a viagem dura cerca de 1h20, com saídas pela manhã e retorno à tarde.

As temperaturas máximas ficam perto dos 30°C durante o ano. A variação mais significativa está nas chuvas: março registra cerca de 392 mm, enquanto setembro fica perto de 17 mm. O primeiro semestre é mais chuvoso; o segundo tende a ser mais seco e ensolarado.

Em um mesmo município, o visitante encontra vestígios de uma cidade enriquecida pelas exportações e uma estrutura voltada ao lançamento de foguetes. A paisagem de Alcântara conecta esse patrimônio colonial ao espaço sem apagar nenhuma das duas fases.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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