Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Contrato do Banco Master previa até R$ 427 milhões em honorários por precatórios

Minuta encontrada pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro cita escritório ligado à esposa de desembargador do TRF-1.

Contrato de Vorcaro previa até R$ 427 milhões a escritório de esposa de desembargador identificado como da ‘turma’ de Nunes Marques
Foto: Reprodução

A Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro uma minuta de contrato entre o Banco Master e o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, de Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O documento previa honorários que poderiam alcançar R$ 427 milhões caso houvesse êxito em ações relacionadas a precatórios que somavam R$ 8,5 bilhões.

Datada de março de 2024, a minuta estabelecia honorários de 5% líquidos sobre o valor recebido pelo banco em cada processo. A atuação do escritório estaria ligada a causas da indústria sucroalcooleira.

Em nota, o escritório afirmou que nenhum dos casos em que atua para o Master tramita no Supremo Tribunal Federal ou tem vínculos com ministros da Corte. Também declarou que, embora trabalhe para o banco há quase três anos, não recebeu pagamentos a título de pró-labore ou de êxito.

Mensagens sobre julgamentos e ministros

Alguns meses depois da formalização do contrato, Vorcaro enviou a Newton Ramos uma mensagem sobre um julgamento de interesse marcado para 4 de dezembro. O desembargador respondeu: “lembrei”, “tudo certo”.

Em 3 de junho de 2025, Camilla Ramos comemorou uma decisão favorável às usinas na 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal e tentou marcar um encontro com Newton para “falar rapidamente”. Na mensagem, ela citou um placar de 3x2 e elogiou o voto do ministro Kassio Nunes Marques.

Conversas encontradas no celular de Vorcaro também mostram o uso da expressão “turma do KN” para se referir a pessoas ligadas ao ministro. Em 20 de fevereiro de 2025, o operador de viagens do banqueiro informou que a “turma do KN/Newton” havia enviado seis nomes para uma lista de camarote bancado por Vorcaro durante o Carnaval no Rio de Janeiro.

As mensagens indicam ainda que estadias de Newton Ramos e do grupo foram organizadas em Salvador e no Rio de Janeiro. Em maio de 2025, antes da aprovação da venda do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB) pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), uma assistente encaminhou a Vorcaro um pedido do desembargador por uma tarifa promocional para Nunes Marques se hospedar no hotel Fasano. Vorcaro respondeu: “Pode pegar e colocar na minha conta”.

Newton também teria pedido ingressos para um show em um hotel em São Paulo e para assistir à Fórmula 1.

Precatórios e contatos ligados ao ministro

O Banco Master adquiriu, em 2023, direitos sobre precatórios por meio de fundos de investimento que haviam cedido os créditos. As empresas responsáveis pela administração desses fundos são investigadas na Operação Compliance Zero.

A Polícia Federal apura suspeitas de que parte dos precatórios tenha sido expedida antes do fim dos processos. A prática seria irregular porque a União ainda poderia recorrer e contestar os valores. Precatórios são dívidas de União, estados ou municípios reconhecidas por decisões judiciais definitivas. Como o pagamento pode levar anos, esses créditos são negociados no mercado financeiro com desconto.

Em 1º de outubro de 2024, Luiz Rennó, ex-diretor jurídico do Master, informou a Vorcaro que o banco havia vencido o processo da “Alcídia”, disputa envolvendo precatórios do setor sucroalcooleiro. Rennó citou votos favoráveis de Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques. Em seguida, encaminhou o contato de Kevin Marques, filho de Nunes Marques, com a mensagem “Dominado aqui”.

Outra conversa, de 4 de julho de 2025, menciona um possível pagamento de 500 mil por mês a Kevin. Em agosto de 2025, Rennó também tratou com Vorcaro de pagamentos considerados essenciais e citou a empresa Consult, ligada a um sócio do filho do ministro. A empresa tem o mesmo endereço de e-mail do IPTF (Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária), que pertence a Kevin.

Nota de Nunes Marques

Em nota, Nunes Marques afirmou que nunca votou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master, não trocou mensagens com o banqueiro e nunca pediu nada a ele. O ministro também disse que não autorizou ninguém a falar em seu nome.

Sobre o processo envolvendo a usina, a nota afirma que Nunes Marques estava impedido por anotação da Secretaria porque havia decidido o caso como vice-presidente do TRF-1. Depois, teria concluído que tecnicamente não estava impedido, solicitado a retificação e votado. A manifestação diz ainda que o julgamento não tratava de uma ação sobre o Master, mas de uma tese aplicável a diversas empresas.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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