VENEZA — O documentário “NAZA” foi apresentado nesta quinta-feira (10) em Veneza com depoimentos anônimos de membros das forças israelenses sobre operações militares em Gaza. Os relatos descrevem o uso de sistemas de inteligência artificial para identificar pessoas que depois eram alvo de bombardeios.
Os jornalistas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor entrevistaram 24 integrantes do exército e dos serviços de inteligência de Israel. Os depoimentos foram gravados em Tel Aviv, durante a noite, e fazem parte de uma investigação que levou anos para estabelecer uma relação de confiança com os entrevistados.
“Deixamos que os soldados e os oficiais falassem sobre o que fizeram”, disse Abraham. A dupla também dirigiu “Sem Chão”, documentário lançado em 2024 que ganhou o Oscar de melhor documentário ao lado dos palestinos Basel Adra e Hamdan Ballal.
Sistemas de vigilância e bombardeio
No filme, os entrevistados explicam como sistemas conectados à rede de telecomunicações de Gaza, controlada por Israel, eram usados para localizar pessoas. Segundo Rachel Szor, um programa espião também podia abrir telefones dentro de prédios e permitir que os operadores escutassem os últimos momentos de crianças, mulheres e homens que seriam bombardeados.
Os testemunhos afirmam que cada alvo poderia estar associado à morte de várias vítimas colaterais, chegando a centenas no mesmo ataque. O título “NAZA” remete a um eufemismo usado pelos serviços de inteligência israelenses para indicar o número de civis que provavelmente morreriam em um bombardeio.
A guerra em Gaza matou mais de 73.500 palestinos e deixou 174.500 feridos desde outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde do enclave, dirigido pelo Hamas. A organização também informou que o conflito começou depois do ataque de 7 de outubro contra Israel, que matou mais de 1.200 pessoas, em sua maioria civis, conforme um balanço citado no filme.
“NAZA” é o único documentário em competição pelo Leão de Ouro. Abraham e Szor esperam que a produção contribua para o abandono do apoio diplomático e militar ocidental a Israel e para a imposição de sanções. No ano passado, “A voz de Hind Rajab”, sobre uma criança palestina assassinada pelas forças israelenses enquanto fugia da Cidade de Gaza, comoveu o festival.








