A relação de Bono com a música como espaço para discutir política, religião, conflitos e causas humanitárias começou antes dos grandes palcos. Ainda garoto, ele ouviu “Imagine”, de John Lennon, e percebeu que uma canção podia sugerir maneiras diferentes de pensar a realidade.
Lançada em 1971, a faixa combina piano, voz e uma letra dedicada à imaginação de um mundo sem algumas das divisões que organizam a vida humana. Para Bono, a força da composição estava também na forma como Lennon apresentava ideias amplas em uma estrutura musical enxuta.
O músico conta que tinha por volta de 12 anos quando ouviu a canção. “Aquilo realmente ateou fogo em mim”, afirmou ao recordar um de seus primeiros discos. O impacto, segundo Bono, não se limitou à melodia: a música parecia abrir espaço para perguntas sobre o que poderia ser possível.
“Era como se ele estivesse sussurrando no seu ouvido - ideias sobre o que é possível”, explicou Bono. Essa impressão acompanhou sua trajetória e ajudou a formar a compreensão de que shows e canções também poderiam servir para tratar de temas que ultrapassam o entretenimento.
A influência de Lennon continuou presente na vida do vocalista do U2. Em 2020, ao reunir “60 canções que salvaram sua vida”, Bono escreveu sobre “Mother” e reconheceu que havia passado anos tentando se aproximar do grau de confissão emocional encontrado naquela música.
A admiração não significava reproduzir a escrita de Lennon. O que Bono levou de “Imagine” foi a percepção de que poucos minutos de música podem abrigar ideias capazes de permanecer na cabeça do ouvinte mesmo depois do fim da faixa.






