A cobrança por uma reunião dos Engenheiros do Hawaii deveria ser deixada de lado, na avaliação de Carlos Gleidson Feitosa. Para ele, o vocalista se mostra irredutível, e os fãs fariam melhor em revisitar os registros da formação clássica e apoiar Augusto Licks quando possível.
Feitosa relaciona a dificuldade de um reencontro ao modo como Licks teria sido retirado da banda. O guitarrista, afirma, não teve seu trabalho reconhecido e acabou prejudicado sem que houvesse uma admissão pública dos erros envolvidos em sua saída. Em entrevista, Licks resumiu a experiência: “Me senti como se tivesse sido ejetado de um trem a 330 km/h e acordado na atualidade”.
Na avaliação do autor, a falta de transparência sobre o fim da formação clássica mantém os fãs sem saber o que realmente aconteceu. Ele menciona declarações consideradas confusas de Humberto e o desconhecimento dos integrantes que deixaram o grupo sobre os motivos do rompimento. Ainda assim, parte do público continua pedindo o retorno.
O disco e a distância entre letras e declarações
Feitosa afirma ser muito fã de “Ouça o que eu digo, não ouça ninguém!” e considera o álbum o melhor trabalho da banda. As letras, segundo ele, combinam elementos revolucionários e introspectivos, mas não encontrariam correspondência na postura posterior da banda em entrevistas e declarações.
O autor também levanta a possibilidade de Humberto não se identificar mais com a temática daquele período. Como o vocalista teria dito em podcasts que não se identifica mais com “aquilo”, Feitosa considera compreensível sua posição atual e avalia que cantar algo em que não se acredita pode ser um problema para uma banda e para o meio artístico.
A análise compara a situação de Licks à trajetória de Renato Russo e ao carinho que artistas poderiam perceber caso as redes sociais existissem naquele período. Para Feitosa, o guitarrista teria descoberto que era querido por grande parte dos fãs e talvez tentado continuar formando outra banda, em vez de parar.
O texto ainda trata dos conflitos internos que podem surgir quando integrantes deixam de escutar uns aos outros, passam a rejeitar contribuições e escolhem alguém para ser colocado de lado. Nesse cenário, picuinhas e intransigências tomariam o lugar da colaboração necessária para manter um grupo.
Ao final, Feitosa reforça sua recomendação: ouvir as gravações da época, apoiar Licks e deixar de pressionar o vocalista por uma reunião dos Engenheiros do Hawaii.







