Bill Bruford chamou a atenção de Neil Peart não apenas pelo domínio da bateria, mas pela disposição de continuar estudando depois de alcançar reconhecimento no rock progressivo. O baterista britânico construiu parte importante da carreira no Yes e no King Crimson, enquanto ampliava seu vocabulário como percussionista.
Peart ressaltava especialmente o empenho de Bruford na percussão de teclado, instrumento ao qual ele passou a dedicar tempo e energia. “Eu admiro isso profundamente”, afirmou o integrante do Rush ao comentar a dedicação do colega.
A avaliação também estava ligada à maneira como Peart entendia o próprio trabalho. O músico dizia passar bastante tempo pensando em composição e defendia que a bateria deveria exercer uma função musical, e não apenas rítmica. O processo, segundo ele, se relacionava ainda à criação de letras e fazia parte de uma formação contínua.
Bruford manteve postura semelhante ao longo da trajetória. Mesmo depois de se tornar uma referência no Yes, buscou outras possibilidades no King Crimson e explorou a eletrônica, o jazz e diferentes configurações de percussão.
A admiração de Peart estava, assim, associada à procura constante de Bruford por novas formas de tocar. O reconhecimento já conquistado não interrompeu o estudo nem a expansão de seu repertório. Para Peart, essa atitude revelava uma seriedade diante do aprendizado próxima daquela que ele próprio aplicava à construção de suas partes musicais.








