Roger Waters afirmou que John Lennon e Bob Dylan criavam a partir da observação do mundo e de sentimentos, enquanto grupos pop poderiam produzir músicas para atender a uma demanda do mercado. A comparação foi feita em uma entrevista de 1992 a M. Resnicoff, da revista Musician, em uma crítica direta a Phil Collins.
Para Waters, Collins era um alvo visível por sua fama, mas também representava uma postura que o baixista considerava artificial. Ele disse perceber no cantor uma tentativa de parecer compositor ou roqueiro, o que, em sua avaliação, tornava o resultado insatisfatório. “É uma encenação”, afirmou.
A crítica também alcançou os videoclipes de Collins com o Genesis. Waters citou a caminhada realizada no clipe de “I Can’t Dance” como exemplo de uma atitude que, segundo ele, ridicularizaria o próprio trabalho. Na época da entrevista, a MTV vivia o auge de sua popularidade, e os videoclipes ocupavam espaço central na indústria musical, mais voltada a esse formato do que aos álbuns.
A comparação com Picasso
Waters recorreu a Pablo Picasso para imaginar como um artista comprometido com sua obra reagiria a uma sugestão feita para aumentar as vendas. Na situação criada por ele, Picasso seria convidado a ficar pendurado pelos calcanhares em um guindaste, com a obra de cabeça para baixo e as calças arriadas. O pintor, disse Waters, não aceitaria a proposta porque levaria a sério o que fazia.
Ao final, o músico declarou torcer para que artistas como Lennon e Dylan continuassem com espaço na indústria fonográfica. Waters disse não ver problema na presença de produções como as que criticava, desde que elas não ocupassem todo o mercado nem afastassem artistas que ele considerava bons demais para se submeter àquele tipo de performance.







