The Edge chegou a cogitar deixar o U2 em 1982, quando tinha 21 anos e a banda ainda estava longe da dimensão que alcançaria. A dúvida apareceu durante um período de incômodo com a indústria musical, os egos e as personalidades dos integrantes.
Bono contou a história em maio de 2025, durante a cerimônia do Ivor Novello Awards. Segundo ele, The Edge decidiu que estava cansado daquele ambiente e colocou sua permanência no grupo em questão. A saída, porém, não aconteceu: Bono tentou convencê-lo a ficar perguntando se o guitarrista abriria uma exceção para ele.
O episódio também faz parte de Stories of Surrender, espetáculo autobiográfico de Bono. Na narrativa, The Edge seguia inseguro enquanto o U2 começava a preparar as músicas que levariam a War.
Foi nesse contexto que nasceu “Sunday Bloody Sunday”. Na lembrança de Bono, The Edge trabalhou na composição como uma possível resposta ao impasse. A música representava uma alternativa para a banda continuar sem ser absorvida pelo funcionamento da indústria musical.
Uma permanência baseada no coletivo
Anos depois, The Edge explicou que a continuidade do U2 dependeu de os integrantes colocarem os egos individuais em segundo plano e priorizarem uma identidade coletiva. “Se o coletivo vence, todos nós vencemos”, afirmou em 2023.
O guitarrista também disse que nunca entrou em uma banda de rock com o objetivo de ficar famoso. Para ele, o reconhecimento só fazia sentido quando estava ligado à música. “Quando é fama por ser famoso, eu realmente posso viver sem isso”, declarou.
O desconforto não desapareceu por completo, mas The Edge encontrou uma maneira de permanecer. War foi lançado em 1983, e o U2 seguiu unido durante a trajetória que transformou os quatro integrantes em nomes conhecidos da indústria que havia levado o guitarrista a pensar em sair.







