PETRÓPOLIS — O centro histórico de Petrópolis concentra palácios, casarões, museus e avenidas acompanhadas por rios. O traçado urbano criado por Júlio Frederico Koeler permite circular entre vários endereços caminhando, enquanto a altitude de 809 metros contribui para noites frescas durante boa parte do ano.
A cidade surgiu a partir do projeto de transformar a Fazenda do Córrego Seco, no alto da Serra da Estrela, em um refúgio de verão para a família imperial. Em 16 de março de 1843, Dom Pedro II, então com 18 anos, assinou o Decreto Imperial nº 155, que destinou as terras a Koeler para a construção de um palácio, uma vila e seus quarteirões, conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O Museu Imperial e os objetos da corte
O antigo palácio de Dom Pedro II abriga hoje o Museu Imperial. O edifício neoclássico começou a ser construído em 1845 e foi concluído em 1862, de acordo com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
Entre os itens preservados estão a coroa, o cetro e o traje usados em cerimônias do Império. O acervo também inclui a pena utilizada para assinar a Lei Áurea. Durante a visita, é preciso usar uma espécie de pantufa sobre os sapatos para proteger o piso original.
O percurso passa por dois andares e inclui a sala de música, o gabinete de estudos com o telescópio do imperador e o quarto do casal imperial. Os ambientes apresentam aspectos da rotina da corte na serra.
Palácios, cervejaria e uma casa de montanha
O Palácio de Cristal tem estrutura de ferro e vidro, além de um jardim onde são realizadas feiras e eventos. Já o Palácio Quitandinha foi inaugurado em 1944 para funcionar como hotel-cassino e atualmente abriga um centro cultural do Sesc. Em frente ao prédio há um lago.
A Cervejaria Bohemia mantém visitas guiadas e é apontada pela cronologia oficial de Petrópolis como a fábrica mais antiga do Brasil. Outro endereço é a Casa de Santos Dumont, uma pequena residência de montanha projetada pelo próprio inventor e conhecida como A Encantada.
Na Avenida Koeler, os casarões do século XIX acompanham o curso do rio. A via também reúne o Palácio Rio Negro, antiga residência de verão dos presidentes, cuja fachada fica voltada para a avenida.
Da escolha da serra ao passeio pelo centro
A busca por temperaturas mais amenas começou antes de Dom Pedro II. Segundo a Prefeitura de Petrópolis, desde Dom João VI a corte procurava um local menos quente que o Rio e passava a estação no antigo convento de Santa Cruz. A alternativa encontrada foi a Fazenda do Córrego Seco, onde Koeler já havia aberto uma estrada para carruagens.
O costume de passar o verão na serra continuou depois do Império. De acordo com o portal Turispetro, presidentes da República frequentavam o Palácio Rio Negro quando o Rio ainda era a capital do país.
A localização dos principais atrativos facilita um roteiro sem carro no centro. As ruas desenhadas por Koeler acompanham os rios, e muitos endereços ficam a poucas quadras uns dos outros.
Acesso e clima
O principal caminho para Petrópolis é a Rodovia Washington Luís (BR-040), que sobe a serra a partir da capital fluminense. A cidade fica a 53 km do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim e a 63 km do Aeroporto Santos Dumont, segundo a página oficial de acesso da Prefeitura.
Também há ônibus com saídas frequentes da Rodoviária Novo Rio, em intervalos de cerca de 15 minutos durante o dia. O município tem área de 791 km² e é dividido em cinco distritos.
O verão é chuvoso, enquanto o inverno costuma ser seco. Na média de julho, a mínima fica perto de 14°C e o mês registra aproximadamente 43 mm de chuva. Em janeiro, o volume passa de 300 mm, segundo a climatologia do Climatempo. As médias são calculadas a partir de 30 anos de dados e podem variar entre os anos.
A combinação entre o Museu Imperial, as construções históricas, os rios e o clima de serra organiza uma visita em que a história da cidade aparece tanto nos palácios quanto nas ruas do centro.







