VENDA NOVA DO IMIGRANTE — O socol é um dos caminhos para conhecer a história de Venda Nova do Imigrante. O embutido de lombo suíno é temperado, curado artesanalmente por meses e armazenado sem conservantes, seguindo uma receita trazida por imigrantes da região do Vêneto, no norte da Itália.
A tradição ganhou proteção oficial em 2018, quando o produto recebeu a Indicação Geográfica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O selo delimita as localidades do município ligadas à produção tradicional e assegura a origem do nome socol.
Uma cidade aberta ao turismo rural
Venda Nova do Imigrante recebeu o título de Capital Nacional do Agroturismo pela Lei Federal nº 14.636, sancionada em 2024, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária. A atividade, porém, começou a ser organizada décadas antes, quando famílias rurais passaram a receber visitantes em suas propriedades.
De acordo com a Secretaria de Turismo do Espírito Santo, dezenas de fazendas familiares mostram ao público a produção de queijos, cafés especiais, doces, licores e outros embutidos. Os passeios juntam agricultura, gastronomia e memória, com visitas que ficam, em muitos casos, a poucos minutos do centro.
Na mesa, aparecem polenta com queijo, galinha caipira ensopada, massas frescas, pães de fermentação natural e fatias finas de socol. Cafés coloniais e cantinas funcionam em antigas casas de imigrantes adaptadas para receber visitantes.
Festa, montanhas e cachoeiras
A Festa da Polenta é realizada em outubro e foi criada em 1978 pelo padre Cleto Caliman. A programação celebra a cultura italiana com música, comida típica e o tombo da polenta em um tacho gigante.
Outro roteiro passa pela Fazenda Pindobas, primeiro distrito turístico do Espírito Santo, criado em 2024. O local reúne cerca de vinte empreendimentos rurais abertos ao público.
Também estão entre as opções o Parque Estadual da Pedra Azul, na vizinha Domingos Martins, e as Cachoeiras do Alto Caxixe. O parque tem trilhas e piscinas naturais, enquanto as quedas-d’água ficam entre a mata das montanhas capixabas.
Marcas da imigração italiana
A ocupação da região se consolidou no fim do século XIX, com a chegada de famílias italianas em busca de recomeço. Isoladas pelo relevo montanhoso, elas passaram a produzir em casa queijos, vinhos, pães, massas e doces. Até meados do século XX, parte da população falava apenas o dialeto vêneto.
A cidade tem 23.831 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os primeiros quilômetros de estrada foram abertos em mutirão, e a BR-262 chegou em 1957, conectando o município a Vitória e ao restante do país. O nome Venda Nova vem de uma antiga mercearia, chamada venda, que foi reformada e se tornou a nova venda do lugar.
O município fica a cerca de 110 km de Vitória, com acesso principal pela BR-262, no sentido Minas Gerais. O clima é tropical de altitude, com temperaturas amenas ao longo do ano, noites mais frescas na serra, verão chuvoso e inverno seco.







