Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Denúncia aponta rede financeira clandestina ligada ao PCC e a condenados da Lava Jato

Gaeco acusa 19 suspeitos de lavagem de dinheiro e organização criminosa e pede indenização de R$ 10 milhões.

Denúncia aponta rede financeira clandestina ligada ao PCC e a condenados da Lava Jato

Promotores do Ministério Público de São Paulo denunciaram 19 suspeitos por lavagem de dinheiro e organização criminosa. A acusação aponta que operadores financeiros, entre eles condenados na Operação Lava Jato, montaram uma rede clandestina usada por integrantes e colaboradores do PCC (Primeiro Comando da Capital).

A denúncia foi apresentada na segunda-feira (14) e agora será analisada pela Justiça, que decidirá se abre uma ação penal. Não há prazo definido para essa decisão.

Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a estrutura funcionava como uma central de serviços financeiros ilícitos, descrita pelos promotores como um “Banco do Crime”. O objetivo seria ocultar e dissimular a origem, a natureza e a propriedade de bens e valores obtidos com o tráfico de drogas e outros crimes.

Operadores e clientes apontados

A investigação, conduzida nas operações Janus e Bazaar, identificou Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moinho, e Alexandre Salles Brito, o Buiú, como integrantes do PCC que teriam usado os serviços. Também aparecem entre os supostos clientes um suspeito de contribuir para o tráfico internacional de cocaína e um operador de criptomoedas.

Mensagens interceptadas indicam que contas bancárias teriam sido repassadas por Léo a um dos prestadores do serviço. A investigação aponta a realização de vários depósitos na casa de dezenas de milhares de reais. Para o Gaeco, as operações ajudariam a esconder a ligação do dinheiro com o tráfico comandado por Léo do Moinho.

A rede teria recorrido a empresas fictícias e contas de laranjas sem capacidade econômica compatível com os valores movimentados. De acordo com a denúncia, os operadores exploravam brechas de fiscalização e regulação, além de envolver corrupção de gerentes bancários e agentes públicos.

Entre os denunciados estão Leonardo Meirelles, Meire Bonfim Poza e Raphael Flores Rodrigues. Meirelles é apontado como peça central da estrutura chamada Akron. Mensagens indicariam que ele e sócios ofereceram a integrantes associados ao PCC serviços de blindagem tributária e ocultação de movimentações financeiras.

Meirelles também é apontado como doleiro e responsável por pagamentos de propina a policiais civis. Há um mandado de prisão pendente contra ele em um processo por associação para o tráfico. Ele já foi preso e acusado de emprestar empresas para Alberto Youssef fazer remessas de até R$ 140 milhões ao exterior. Após confessar os crimes, deixou a prisão.

Uma mensagem atribuída a Cléber Azevedo dos Santos afirma que “nosso banco digital já está funcionando”. O advogado José Antônio Chiaradia declarou que as alegações contra Cléber são “ilações, sem qualquer fundamento ou provas”.

Rodrigo Antunes Benetti, advogado de Léo, afirmou que a inocência do cliente será demonstrada e citou a ausência de condenação nas acusações feitas desde a prisão dele em 6 de agosto de 2024. A defesa de Brito não foi identificada, assim como as defesas de Meirelles e Poza.

Os promotores pedem ainda que os denunciados paguem indenização de R$ 10 milhões, destinada aos fundos públicos.

Conversas com policiais militares

A investigação também encontrou mensagens sobre coronéis da Polícia Militar de São Paulo, incluindo o ex-comandante-geral José Augusto Coutinho e o oficial da reserva Luiz Carlos Pereira Martins. Pereira Martins participava de um grupo de WhatsApp com suspeitos de lavagem de dinheiro, em conversas que indicariam proximidade entre os participantes e o planejamento de viagens para uma colônia de férias.

Coutinho aparece em uma conversa sobre um operador financeiro que faria troca de TED por dinheiro vivo e teria conexões com integrantes do PCC. Uma cópia integral do processo foi encaminhada à Justiça Militar para apurar possíveis crimes atribuídos aos coronéis. Eles não foram investigados pelo Gaeco.

Em julho, a defesa de Coutinho disse que ele exerceu as funções na Polícia Militar com integridade e correção e afirmou acreditar que o procedimento demonstrará a ausência de envolvimento dele.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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